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Após perder 2 filhos, Rosana superou a tristeza com a corrida

A advogada encontrou no esporte a força que precisava para vencer a depressão e se tornou maratonista

Juliana MesquitaPor
Juliana Mesquita

 maratonista volta por cima

A corrida é muito mais do que um esporte para as mulheres. É um momento de lazer, de reflexão, que traz bem-estar, mostra que temos força para superar as adversidades e funciona até como terapia. A advogada Rosana Barreto, de 40 anos, é uma prova disso.

Em 2000, ela teve Gustavo, seu primeiro filho, mas o menino morreu após 38 dias de vida, em decorrência de uma cardiopatia. A perda, é claro, trouxe consequências negativas: Rosana desenvolveu depressão. “Eu sentia medo, tinha crises de choro, engordei, parecia que havia um buraco dentro de mim, que nada preenchia… Quando o telefone ou a campainha tocava, eu não atendia. Procurava sempre me isolar do mundo”, relembra.

Rosana não buscou tratamento médico. Conseguiu se recuperar graças a sua fé e ao nascimento da filha Beatriz, em 2002. “A felicidade da maternidade me ajudou combater a doença.” Tempos depois, a advogada deu à luz a Felipe e tudo parecia correr bem em sua vida. Foi aí que sofreu um novo baque. Em 2009, com 1 ano e três meses, o menino faleceu por conta de uma bronquiaspiração. O pesadelo estava ali, presente outra vez. “Fiquei totalmente desolada, sem chão, e com medo de ficar depressiva novamente”, conta.

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O ENCONTRO COM A CORRIDA 

O esporte entrou na vida de Rosana no momento em que ela buscava forças para minimizar o sofrimento de mais uma grande perda e escapar da depressão. E foi bem por acaso. “Estava passeando no shopping e vi a propaganda de uma corrida de 9 km. Tomei coragem e me inscrevi, mesmo sem saber se seria capaz de completar o percurso. Eu caminhava no parque, mas não estava nem perto de percorrer essa distância”, lembra.

A advogada conseguiu completar o percurso e encontrou ali um suporte para deixar as dificuldade para trás.  “A corrida me ajudou a mudar o foco da tristeza para realizações e superação. Encontrei a paz comigo mesma, voltei a ser criança em um esporte de gente grande. Aprendi a ter mais paciência, viver um dia de cada vez e dar valor para as coisas simples, como sentir o sereno no rosto quando acordo bem cedo para treinar. Deus me concedeu a vida e a corrida me ajudou a vivê-la da melhor forma possível”, afirma Rosana.

Não demorou muito e a atividade física virou paixão.  Em sete anos, a advogada fez mais de 60 provas, dentre elas, dez meias maratonas e cinco corridas de montanha. Mas, mesmo com tantos desafios superados, Rosana sentia que ainda faltava um: encarar a maratona. Foi então que, em janeiro deste ano, ela se inscreveu na SP City Marathon. “Escolhi essa corrida porque já havia feito os 21K em 2016 e me apaixonei pela organização e percurso”, explica.

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A PREPARAÇÃO PARA OS 42 KM

Rosana  nunca contou com o auxílio de um treinador e sempre correu por conta própria. “Li muitos artigos e livros sobre a maratona e montei sozinha minha programação dos longões. Planejei correr  25 km, 30 km e 33 km”, revela. Ela aproveitou para fazer esses treinos no Guarujá, no litoral de São Paulo, onde possui uma casa e costuma passar muitos fins de semana. “A cidade é plana e tem uma bela paisagem, o que ajuda muito a manter a motivação em alta para correr por várias horas seguidas.”

A advogada afirma que a maior dificuldade que sentiu durante sua preparação para a SP City Marathon foi encontrar tempo para treinar. “Confesso que fiz uma vez os 25 km e duas vezes os 30 km, mas não consegui correr os 33 km.” Apesar disso, ela se sentiu pronta para encarar o desafio e realizar seu grande sonho. “Na maior parte da prova, eu não parava de sorrir, pois estava feliz de estar ali. Agradecia a Deus cada quilômetro por causa disso”, relembra.

O momento mais difícil para Rosana foi por volta dos 35 km, quando a dor tomou conta de suas pernas. Mesmo assim, ela seguiu até o final. “Era uma questão de superar a mim mesma, já que, após alguns quilômetros, eu seria uma maratonista. Esse era meu foco! ”

Com muito esforço, a advogada alcançou seu objetivo e completou a SP City Marathon em 5h26min. “Eu consegui, eu venci! Agora, pretendo fazer outras maratonas, como a de Nova York e a de Foz do Iguaçu, o mais breve possível. Sei que estou pronta, não quero mais deixar os problemas desta vida serem mais fortes do que eu. Por isso, digo: lute, viva, corra e seja feliz!”