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“A corrida me deu força para superar a tristeza do luto”

A história de quem aprendeu a superar as dificuldades por meio da prática do esporte

RedaçãoPor
Redação

Marcia Di Domenico

Há mais ou menos três anos a vida de Selma Alves Teixeira, de 31 anos, mudou de fase. Foi quando ela decidiu trocar a estabilidade do emprego administrativo na prefeitura de Itatiba, no interior de São Paulo, onde mora, pela flexibilidade e a autonomia do trabalho por conta própria como esteticista.

Pela primeira vez, depois de anos trabalhando até 14 horas por dia, ela tinha tempo de cuidar mais de si mesma e se dedicar como gostaria ao filho, hoje com 11 anos. Uma das primeiras coisas que fez nesse momento foi se matricular na academia, onde entrou em contato com a corrida, ainda que indiretamente. “O aquecimento para o treino de musculação era sempre na esteira, e gostei tanto de correr que quis levar a atividade a sério”, conta.

Mas sério mesmo o treinamento só passou a ser em 2017, depois de Selma quase quebrar na primeira prova de 5 K de que participou. Antes disso, acabava praticando apenas nos fins de semana, quando tinha disposição e tempo livre.

“Vi que era mais complexo do que eu estava imaginando, então comecei a seguir planilhas criadas pelos professores da academia e ler bastante sobre o esporte”, diz. Na segunda prova da vida, de 6 K, ela subiu ao pódio na sua categoria, o que significou uma injeção de ânimo para ir em frente.

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Dois meses de preparação depois, o desafio à vista era a Vênus 15 K. A uma semana do evento, porém, um baque: o avô de Selma faleceu. “Ele me criou, era minha referência de pai, já que não convivi com o meu biológico. Fiquei sem chão”, lembra. “Cogitei desistir, não tinha cabeça para nada. Mas faltando três dias para a prova, pensei em quanto ele gostaria de me ver conquistando mais esse desafio, porque sabia como era importante para mim, e resolvi correr”, revela.

Selma cruzou a linha de chegada em 1h26min, em meio à emoção pela lembrança do avô, agradecimento por estar ali e lágrimas de tristeza e alegria ao mesmo tempo.

Agora que o pior já passou, as próximas metas já estão na agenda: os 21 km da SP City Marathon e da Meia-maratona do Rio de Janeiro, em julho e agosto, respectivamente. Como foco total na rotina de treinos e na alimentação certa, mas com a leveza e alto-astral sempre, Selma não tem dúvida de que vai tirar de letra.

“Correr me fez dona da minha vida. Antes, vivia para o trabalho, estava sempre para baixo, me sentia inferior em tudo. Hoje acredito em mim, na minha força e capacidade de enfrentar qualquer dificuldade. Devo isso à corrida, esse esporte que vem me curando da dor, que me faz refletir sobre prioridades e me proporciona momentos incríveis.”