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Dor, medo e plenitude na Maratona de Londres

"Eu não poderia não terminar a prova, mesmo que fosse a última colocada"

Bruna GuidoPor
Bruna Guido

Quem vem me acompanhando nos últimos cinco meses nas redes sociais sabe que eu estava me preparando para a minha segunda maratona, certo? A ideia sempre foi correr a Maratona de Londres 2018, que foi realizada no dia 22 de abril.

Fiz todo planejamento dos treinos, ajustei as minhas aulas de personal, as de bike no Studio Velocity, os afazeres de casa, a alimentação, tudo! Eu nunca estive tão focada e determinada como estava nesses últimos meses. Estava confiante e feliz da vida por essa oportunidade de correr em uma cidade tão linda como Londres.

Bom, os treinos foram ótimos e nenhuma lesão surgiu para me fazer parar por algumas semanas como aconteceu na primeira maratona que completei – dessa vez foram apenas dores pontuais, mas nada que me deixasse preocupada.

No dia da viagem arrumei a mala e coloquei 95% de roupas de frio e uma bermudinha e duas regatinhas, a previsão para o dia da prova era de 13°C, temperatura perfeita para correr os 42 km.

Chegando em Londres, adivinhem… CALOR! Ok, o dia estava lindo, céu limpo e temperatura agradável para curtir uma tarde nas praças, coisa que os britânicos fazem quando o sol surge. Estava tudo lindo, mas admito que torcia para esfriar no domingo! Rs

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Na retirada do número de peito eu fui angustiada, com medo de não estar inscrita na prova. PASMEM! Eu fui para a Maratona de Londres 2018 sem confirmação de inscrição, apenas com o meu pensamento positivo.

Quando foram procurar o meu número no computador, o que aconteceu? Isso mesmo, não acharam o meu nome. Meu coração disparou e senti vontade de chorar, mas me mantive positiva. Então, o senhor que estava procurando fez uma nova busca e achooooou! Aí caí em prantos, foi pura emoção. Ali bateu a ansiedade porque tinha 100% de certeza que iria para a prova. Doido, né?

 

O maior desafio: Maratona de Londres 2018

Como meus treinos saíram melhores nessa preparação, fiquei confiante para largar um pouco mais forte do que em Nova York. Larguei com a mente, coração, e com as pernas para manter um ritmo entre 4’20 a 4’30 por quilômetro.

Só larguei… já no km 6 eu vi que iria precisar de um plano B. No km 10 meu tendão começou a doer, mas me mantive firme até o km 20, na passagem pela Tower Bridge. Que ponte linda, ainda mais que estava tocando a música do meu casamento e meu marido estava ali naquele momento, foi de arrepiar!

Nesse momento eu já não estava muito bem e pensei: “chegando na metade a gente deixa o cansaço para trás e acelera”. Que pensamento estranho, né? Foi uma “tática” para a mente ficar mais forte, mas as dores foram só aumentando, passando para a sola dos pés, joelho e quadril. O tendão do calcanhar estava doendo muito e tive que andar – e mesmo andando estava muito desconfortável, tive que parar e sentar para tirar os pés o chão.

Após uns 5 minutos sentada na calçada, levantei e continuei com um “trote paquera”, uma corridinha bem lenta para não forçar o tendão, mas forcei outras coisas como o glúteo médio. Esse é um dos músculos que mais fortaleço e foi isso que me permitiu continuar, parecia que era ele que estava movimentando as pernas, sentia ele a cada passada. Mas teve um momento que ele estava sobrecarregado demais e tive que caminhar novamente.

E nessa brincadeira de corre e anda, um gringo passou por trás de mim e o seu pé deu um pequeno toque no meu calcanhar… Adivinhem? Caí! Aí comecei a chorar e foi um Deus nos acuda. Mas ok, estava no km 32 se eu não me engano.

Para ajudar, o sol estava fritando a pele e muitos atletas estavam passando mal, desmaiando e andando torto a ponto de cair. Eu até ajudei um mocinho que estava “cambaleando”.

Mas a boa notícia é que consegui completar a prova! Foram 42 km intensamente vividos. Lembrei de todos os treinos, de todos os fortalecimento, das sessões de coaching, da dieta, das minhas aulas, dos meus atletas, imaginei meu irmão preocupado olhando o app da prova…

Admito que pensei em desistir no meio do caminho, confesso que pensei umas três vezes em sair da prova e ir de metrô para o hotel, a dor era enorme, mas eu não queria desistir.

Depois de tudo o que eu fiz para estar ali, treinada do jeito que estava, eu não poderia não terminar a prova, mesmo que fosse a última colocada. Fui com o coração e com a mente forte. Tentei todos os planos, A, B, C… Z e consegui: completei a minha segunda maratona em 4h02min.

Agora já tenho uma nova meta, vou para a terceira maratona em novembro, novamente em Nova York – e vocês, claro, vão acompanhar tudo!

Um grande beijo e pensamento positivo SEMPRE!