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Uma milha de pura emoção!

Em uma prova de apenas 1,6 km podemos viver experiências incríveis e aprender lições importantes para nos tornarmos corredoras melhores

Bruna GuidoPor
Bruna Guido

corrida de uma milha

Em quanto tempo você consegue correr uma milha? Essa foi a frase que a New Balance utilizou para divulgar uma superprova inédita aqui no Brasil. A corrida de “apenas” uma milha (1,6 km) deixou todos os participantes empolgados. Eu, particularmente, amei. E estou torcendo para que a próxima competição desse tipo seja realizada em breve.

A New Balance Mile Challenge foi disputada na pista de atletismo do Esporte Clube Pinheiros. A prova teve uma bateria classificatória. Foram 12 largadas, com até 32 corredores divididos por faixa etária e sexo. Os 16 mais rápidos de cada eliminatória depois disputaram a final.

Já a elite teve uma única bateria. Foi lindo ver aqueles (as) atletas “voando” na pista. A chegada das meninas teve muita emoção. Valdilene dos Santos Silva garantiu o título com uma ultrapassagem na reta final, nos últimos 100 m! Com a vitória, ela ganhou uma viagem para correr a New Balance 5th Avenue Mile e um relógio da TomTom Sports.

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O DESAFIO DOS AMADORES  

Entre os corredores não profissionais, deu para ver que muita gente subestimou os 1.600 m, e largou como se fosse apenas uma prova de 100 m. Na minha bateria, por exemplo, o pelotão saiu forte. Até me assustei com a quantidade de meninas “mais rápidas” do que eu no começo da prova. Pensei: “Eita, é hoje que terei que superar o meu melhor tiro”. Porém, antes de completar 200 m eu já estava em terceiro lugar e sabia que poucas aguentariam manter aquele ritmo de 3:30 min/km até o fim. Fui ultrapassada nos últimos 200 m, mas como a meta era sobreviver e chegar entre as 16 primeiras da fase classificatória, estava no lucro. Não me abalei com a ultrapassagem [risos].

As baterias seguiram com vários tiros de 100 m na largada. Vi muitas pessoas quebrando, principalmente por não terem disciplina nos treinos e não conhecerem o próprio ritmo na distância. Claro que isso é normal. A maioria dos corredores já iniciou uma prova mais forte do que deveria e reduziu drasticamente a velocidade no final. Aprendemos a evitar isso conforme ganhamos experiência. E erros assim só mostram ainda mais a importância do treinamento.

A corrida é um esporte em que não acontece mágica. Seu desempenho na prova – exceto quando há uma lesão ou desconforto – refletirá exatamente o que foi feito nos treinos.

A EMOÇÃO DA BATERIA FINAL

corrida de uma milha

O coração batia acelerado antes da largada. Eu estava ansiosa, até mais do que na minha primeira maratona. Pelo que vi na fase classificatória, teria de fazer muita, muita força para chegar entre as três primeiras. Conhecia as meninas que estavam ao meu lado e sabia que elas tinham disciplina e muita determinação. Só que eu também tenho, né?

Largamos e, dessa vez, ninguém quebrou. Já iniciei em terceiro lugar, mas sabia que a menina que vinha atrás de mim daria um sprint forte para me ultrapassar a qualquer momento.

Minha estratégia era aguentar o máximo possível aquele ritmo alucinante, com o coração na boca. Tínhamos que percorrer quatro voltas na pista para completar os 1,6 km. Na terceira, ela me ultrapassou.

Aí, começou aquela briga entre corpo e mente. Enquanto a cabeça mandava eu parar, os músculos queriam acelerar. Entrei na última volta decidida a desistir. Já não aguentava mais aquela sensação de exaustão, o gosto de sangue na garganta. Mas faltava só uma volta, seria rapidinho. Enquanto pensava se parava ou acelerava, cheguei aos 200 m finais. E estava mais próxima da terceira colocada. Simplesmente acelerei…

Surgiram vários pensamentos em fração de segundos. O mais marcante foi: “Você acabou de fazer uma maratona, tem mais resistência do que elas”. Pois é… Foi nisso que foquei. Quando encostei na terceira colocada, escutei meu irmão gritando: “Vai, Bruna, sou mais você na final!”.

Ah, não tive dúvida e acelerei como nunca. Vi minha mãe bem na curva, na entrada dos últimos 100 m, gritando: “Vai, Bruninha!”. Olhei os atletas da MB Personal Trainers torcendo, meu marido/treinador berrando: “Use o braço, acelera, acelera, acelera!”. E eu acelerei… Fechei o olho e fui – metaforicamente falando, claro, pois meus olhos estavam bem abertos, por sinal [risos].

Terminei em terceiro lugar e ainda “encostei” nas duas primeiras colocadas. Cheguei apenas três segundos atrás da campeã. Uau! Que felicidade! Que superação! Que prova!

Tive gastrite nervosa depois disso tudo, mas foi incrível.

Textão, hein? Sei que me empolguei! Mas foi demais! Precisaria de muito mais linhas para descrever tudo o que senti nessa prova.

Treinar com muita disciplina e aproveitar todas essas experiências só nos fazem evoluir. Agradeço a New Balance por proporcionar essa experiência a todos nós, atletas amadores.

E, meninas, vamos focar cada vez mais nos treinos. O nível feminino tem melhorado a cada dia. Como treinadora, fico muito orgulhosa em perceber isso.

Parabéns a todas pela participação nos 1.600 m mais intensos que já vi!

Beijos da Bru!

* Bruna Guido é treinadora da MB Personal Trainers e do Studio Velocity. Apaixonada por esportes desde criança, já praticou judô, vôlei e hoje é uma supercorredora. Aqui, ela compartilha suas experiências em treinos e provas. | Instagram: @brunaguido_mb